Esta maldita TPM acaba comigo. Já não basta ter que realizar o esforço diário de aceitar meu lado frágil, minha condição humana, minha sede de realizações, ainda tem esta TPM para aumentar o tamanho de tudo.
Ainda bem que amanhã melhora. Eu sempre melhoro. Mas preciso da oportunidade que esta melancolia propicia (eita angústia inspiradora!) pra desabafar um pouco. Ne-ces-si-to!
É o seguinte: depois que meu marido voltou a tomar as “brejas” dele, virou festa: agora todo final de semana quer sair pra curtir a noite. Mesmo que esteja nevando lá fora. Toma várias e pensa que a vida é boa! Ele me chama, mas se eu não estiver a fim, vai assim mesmo. O ruim é que quase sempre não estou a fim. Pra mim, a noite foi feita para dormir. E pra piorar, ele curte ir a bar que toca rock e eu até gosto, desde que a música não agrida meus tímpanos. Mas nestes bares o barulho é sempre aterrecedor. Eu não suporto isto. Alguém pode dizer: “então o deixe curtir a noite, e você curte a cama”... e eu até concordaria, se não houvessem tantos “porém”.
Sei que eu deveria pensar diferente, afinal meu marido gosta de sair comigo, os drinques no dancing não acabaram com o casamento e entre uma cerveja e outra a gente curte nosso momento. Além disso, posso considerar o fato de que sou jovem e ainda não tenho que dedicar meu tempo em função do advento do primeiro filho. Enfim... todos sabem que mulher é um ser complicado, esquisito, misterioso e perigoso, mas como eu, tá pra nascer...
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
O resto são flores!
Relacionamento conjugal é muitíssimo abstruso. Primeiro porque é trabalhoso e nem sempre cooperativo. Depois porque às vezes faz doer às vísceras: a barriga, a cabeça, o estômago, o peito.
Quando as diferenças se despontam e você é inexperiente, as brigas tomam conta da relação... Após amadurecer um pouco, aprende a relevar certas coisas, mas no momento em que os conflitos acontecem você retoma as crises anteriores e, embora esteja mais madura (o) e cansada (o) de discutir, você revive as brigas acumuladas: não só as já discutidas, mas as que ficaram pendentes também (porque você estava tentando relevar, mas acha que agora “foi a gota d’água”!). - Deve ter alguma fase depois desta, mas ainda não sei como é.
Só sei que antes eu sofria porque achava que estava em desvantagem: ou porque lavava muita louça enquanto ele só limpava o chão, ou porque eu sempre tinha que assistir ao filme que ele escolheu, e até pior, acho um absurdo assistir filme dublado porque ele tem preguiça de ler a legenda... e vários outros conflitos que nem quero ficar lembrando.
Hoje penso diferente (quando digo hoje sou literal): não acho que estou perdendo ou ganhando nada, apenas me pergunto se estou sendo uma pessoa honesta com nós dois, para dedicar minha juventude a ele, meus planos de ter filhos, de ter uma vida em comum, caminhos comuns... Penso que a qualquer momento ele pode colocar tudo a perder, por uma bobeira qualquer. Uma bobeira qualquer. Uma bobeira qualquer. Simplesmente por ser humano!
Fico pensando como é conviver com alguém como eu, com meus defeitos. Mas conviver com ele não é fácil. Não sei o que é pior: se é a falta de delicadeza, de gentileza, a necessidade de disputar a razão, ou não admitir os próprios erros. Quando o caso é óbvio, ele até assume, só que sempre tem que ter um “mas”: “eu disse isto, mas foi porque antes você agiu de tal maneira”; “eu deixei o objeto cair, mas antes você me irritou”; “eu perdi a paciência, mas é porque você fica provocando”; “eu me esqueci de comprar tal coisa, mas é porque fulano me encheu o saco!”; “eu errei o caminho, mas foi porque você me distraiu”. Outros exemplos: Se eu não vejo a lombada é porque preciso trocar de óculos ou porque não sei dirigir, e se ele não vê a mesma lombada é porque está escura, a prefeitura não pintou as listas amarelas. Se a carne que eu compro está dura é porque não sei escolher, se foi ele quem comprou é porque o açougueiro não pegou a carne que ele pediu! E por aí vai...
Falando assim parece exagero, mas eu juro que não é, peguei até leve nos exemplos. O pior é que eu acho que ele nem “se liga” da atitude que tem. Mas, aff! É um saco, principalmente porque eu sou o primeiro alvo. E o último também.
Não sou vítima, esta é apenas a minha versão...
Quando as diferenças se despontam e você é inexperiente, as brigas tomam conta da relação... Após amadurecer um pouco, aprende a relevar certas coisas, mas no momento em que os conflitos acontecem você retoma as crises anteriores e, embora esteja mais madura (o) e cansada (o) de discutir, você revive as brigas acumuladas: não só as já discutidas, mas as que ficaram pendentes também (porque você estava tentando relevar, mas acha que agora “foi a gota d’água”!). - Deve ter alguma fase depois desta, mas ainda não sei como é.
Só sei que antes eu sofria porque achava que estava em desvantagem: ou porque lavava muita louça enquanto ele só limpava o chão, ou porque eu sempre tinha que assistir ao filme que ele escolheu, e até pior, acho um absurdo assistir filme dublado porque ele tem preguiça de ler a legenda... e vários outros conflitos que nem quero ficar lembrando.
Hoje penso diferente (quando digo hoje sou literal): não acho que estou perdendo ou ganhando nada, apenas me pergunto se estou sendo uma pessoa honesta com nós dois, para dedicar minha juventude a ele, meus planos de ter filhos, de ter uma vida em comum, caminhos comuns... Penso que a qualquer momento ele pode colocar tudo a perder, por uma bobeira qualquer. Uma bobeira qualquer. Uma bobeira qualquer. Simplesmente por ser humano!
Fico pensando como é conviver com alguém como eu, com meus defeitos. Mas conviver com ele não é fácil. Não sei o que é pior: se é a falta de delicadeza, de gentileza, a necessidade de disputar a razão, ou não admitir os próprios erros. Quando o caso é óbvio, ele até assume, só que sempre tem que ter um “mas”: “eu disse isto, mas foi porque antes você agiu de tal maneira”; “eu deixei o objeto cair, mas antes você me irritou”; “eu perdi a paciência, mas é porque você fica provocando”; “eu me esqueci de comprar tal coisa, mas é porque fulano me encheu o saco!”; “eu errei o caminho, mas foi porque você me distraiu”. Outros exemplos: Se eu não vejo a lombada é porque preciso trocar de óculos ou porque não sei dirigir, e se ele não vê a mesma lombada é porque está escura, a prefeitura não pintou as listas amarelas. Se a carne que eu compro está dura é porque não sei escolher, se foi ele quem comprou é porque o açougueiro não pegou a carne que ele pediu! E por aí vai...
Falando assim parece exagero, mas eu juro que não é, peguei até leve nos exemplos. O pior é que eu acho que ele nem “se liga” da atitude que tem. Mas, aff! É um saco, principalmente porque eu sou o primeiro alvo. E o último também.
Não sou vítima, esta é apenas a minha versão...
Ah, já ia me esquecendo: o resto são flores!!!
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Olhos quadrados.
Tenho uma amiga que tem os olhos quadrados, a pele morena, dentes de coelho e uma sensibilidade admirável - lindíssima. Seu modo de ver a vida estimula a reflexão nas pessoas, e a forma como respeita o ser humano me fez amá-la. Eu a amo. Mas não é sobre isto que vou dizer.
O que quero dizer é que ontem ela me lembrou que faltam menos de 90 dias para acabar o ano. Dificilmente refletimos sobre a forma como o tempo passa, ou melhor, como passamos pelo tempo. Às vezes estas coisas até passam pela nossa mente, mas é tão rápido que perdemos todos os detalhes, como em uma viagem, em que a paisagem que admiramos vai embora a 100 Km/h, quando não vai mais rápido.
Também no dia de ontem, mais precisamente no trânsito - aquele nos acomete diariamente, que é motivo para estresse, brigas, agonia – eu pude me aproveitar e refleti a respeito do que minha amiga dos olhos quadrados me fez lembrar.
Imagino que todos hoje estão preocupados em cumprir com as suas obrigações e manter tudo sob controle, absoluto controle. Ou será que alguém aqui pensou em construir um dia belíssimo? Acredito que não, ninguém tem tempo pra isto! Você tem tempo para um tranqüilo café da manhã? Já imaginou a riqueza de um café com Drummond? Refiro-me a um café preto mesmo, que ele comparou ao negrume dos escravos e toda aquela história louca que a gente repete, escravisando nossos limites, nossas vontades, nossas necessidades, nossa criança (a que mora dentro de cada um)...
Pois bem, a mensagem que eu pretendo partilhar é que ainda temos 90 dias antes que o ano de 2009 se transforme em 2010. Temos ainda 90 dias para nos transformar também, para cuidarmos melhor da nossa paz, do nosso gozo, e das coisas simples que deixamos de ver por estarmos sempre com pressa de vencer, de construir, de ir além.
Quero dizer: não se percam, não se afoguem em tantas exigências, auto-exigências. E quero agradecer a Deise Daiane dos Olhos Quadrados: sempre que eu estou prestes a me afogar, você me puxa de volta pra cima!
O que quero dizer é que ontem ela me lembrou que faltam menos de 90 dias para acabar o ano. Dificilmente refletimos sobre a forma como o tempo passa, ou melhor, como passamos pelo tempo. Às vezes estas coisas até passam pela nossa mente, mas é tão rápido que perdemos todos os detalhes, como em uma viagem, em que a paisagem que admiramos vai embora a 100 Km/h, quando não vai mais rápido.
Também no dia de ontem, mais precisamente no trânsito - aquele nos acomete diariamente, que é motivo para estresse, brigas, agonia – eu pude me aproveitar e refleti a respeito do que minha amiga dos olhos quadrados me fez lembrar.
Imagino que todos hoje estão preocupados em cumprir com as suas obrigações e manter tudo sob controle, absoluto controle. Ou será que alguém aqui pensou em construir um dia belíssimo? Acredito que não, ninguém tem tempo pra isto! Você tem tempo para um tranqüilo café da manhã? Já imaginou a riqueza de um café com Drummond? Refiro-me a um café preto mesmo, que ele comparou ao negrume dos escravos e toda aquela história louca que a gente repete, escravisando nossos limites, nossas vontades, nossas necessidades, nossa criança (a que mora dentro de cada um)...
Pois bem, a mensagem que eu pretendo partilhar é que ainda temos 90 dias antes que o ano de 2009 se transforme em 2010. Temos ainda 90 dias para nos transformar também, para cuidarmos melhor da nossa paz, do nosso gozo, e das coisas simples que deixamos de ver por estarmos sempre com pressa de vencer, de construir, de ir além.
Quero dizer: não se percam, não se afoguem em tantas exigências, auto-exigências. E quero agradecer a Deise Daiane dos Olhos Quadrados: sempre que eu estou prestes a me afogar, você me puxa de volta pra cima!
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
É melhor ter razão do que ter paz?
- E aí, o que você vai fazer no dia que segue a batalha?
- Não sei com quais armas lutar.
- Então porque você não pede uma trégua.
- Porque é desaforo!
- Então vá à luta.
- O que eu queria mesmo é me entregar.
- Então se entrega.
- Mas é desaforo! E depois, se eu não intervir de maneira sábia, tudo pode continuar. E eu quero que mude.
- Então converse sobre isto.
- Eu já conversei. Só que não ouvi o que eu queria. E mesmo que tivesse ouvido, eu não posso me render assim tão fácil.
- Mas se você conversou, esclareceu e tem esperança na mudança, então porque você não termina esta guerra?
- Porque é desaforo, oras!
- É melhor ter razão do que ter paz?
- Não sei...
- Não sei com quais armas lutar.
- Então porque você não pede uma trégua.
- Porque é desaforo!
- Então vá à luta.
- O que eu queria mesmo é me entregar.
- Então se entrega.
- Mas é desaforo! E depois, se eu não intervir de maneira sábia, tudo pode continuar. E eu quero que mude.
- Então converse sobre isto.
- Eu já conversei. Só que não ouvi o que eu queria. E mesmo que tivesse ouvido, eu não posso me render assim tão fácil.
- Mas se você conversou, esclareceu e tem esperança na mudança, então porque você não termina esta guerra?
- Porque é desaforo, oras!
- É melhor ter razão do que ter paz?
- Não sei...
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Violência
Venho falar sobre violência. Não aquela que vemos na televisão, explícita. Mas aquela sutil, que destrói aos poucos, que embora a gente reconheça sua existência, não dá tanta importância. Falo da violência que nos cerca em nossos ambientes de convívio, no trabalho, na família, entre amigos.
A violência a que me refiro nos chega a doses moderadas, em uma palavra, em outra... Em atitudes que alguns justificam como falta de paciência, outros chamam de estresse... Não falo da agressão física, aliás, este é apenas o último estágio da violência, e quando chega vem pra dizer que muita coisa está perdida: a delicadeza, o amor, a decência, o respeito, a paz.
Não sou vítima desta violência diária. Mas ela me atinge, acontece comigo e contra mim. Digo que não sou vítima porque acredito que tudo o que nos acomete é de nossa responsabilidade, por provocarmos, ou por permitirmos. A diferença é que agora que a violência se fez explícita, eu venho refletir sobre esta permissão, e penso no que posso fazer para não deixá-la me atingir e para que eu não faça o mesmo.
Na vontade de perdoá-la (a violência) busquei respostas que justificassem seu ato. Nesta busca me deparei com a paisagem de uma de nossas noites felizes: enquanto dançávamos de rosto colado éramos fotografados por amigos que pareciam fazer aquilo não apenas por brincadeira: pareciam saber que aquilo poderia salvar algo. E de certa forma salvou. Não sei dizer o que, mas serviu de escudo a uns sentimentos bons que moram em mim, embora outros não tenham sobrevivido. Hoje olhei para foto e de lá de dentro a imagem me disse: "minha filha, nada disso vale a pena..." (eu sei que a imagem quis dizer a respeito das ávidas partilhas, das lutas, dos esforços, da entrega), e reconheço que nada vale a pena para quem fere nosso respeito, nossa ética e nosso brio, mas hoje eu insisti em ficar folheando esse álbum para ir além dos meus pensamentos... No fundo eu queria mergulhar em algo que não me falasse de nada, que só me deixasse em contato com o silêncio, a ignorância. Queria me livrar dos discursos, das mentiras, dos elogios, das celebrações, das desculpas.
Não sei se isto acontece com todos, mas às vezes tenho vontade de me dispor a mercê da vida, de me despir dos meus sonhos de querer um pouco mais, de montepio, benevolências. Eu queria entrar na chuva, andar nas nuvens, voar pelo deserto amarelo, e não sentir nada além do vento que leva tudo sem precisar de água, nem de areia, nem de flor, nem de gente. Queria seguir em frente de mãos vazias, sem lembranças.
A violência a que me refiro nos chega a doses moderadas, em uma palavra, em outra... Em atitudes que alguns justificam como falta de paciência, outros chamam de estresse... Não falo da agressão física, aliás, este é apenas o último estágio da violência, e quando chega vem pra dizer que muita coisa está perdida: a delicadeza, o amor, a decência, o respeito, a paz.
Não sou vítima desta violência diária. Mas ela me atinge, acontece comigo e contra mim. Digo que não sou vítima porque acredito que tudo o que nos acomete é de nossa responsabilidade, por provocarmos, ou por permitirmos. A diferença é que agora que a violência se fez explícita, eu venho refletir sobre esta permissão, e penso no que posso fazer para não deixá-la me atingir e para que eu não faça o mesmo.
Na vontade de perdoá-la (a violência) busquei respostas que justificassem seu ato. Nesta busca me deparei com a paisagem de uma de nossas noites felizes: enquanto dançávamos de rosto colado éramos fotografados por amigos que pareciam fazer aquilo não apenas por brincadeira: pareciam saber que aquilo poderia salvar algo. E de certa forma salvou. Não sei dizer o que, mas serviu de escudo a uns sentimentos bons que moram em mim, embora outros não tenham sobrevivido. Hoje olhei para foto e de lá de dentro a imagem me disse: "minha filha, nada disso vale a pena..." (eu sei que a imagem quis dizer a respeito das ávidas partilhas, das lutas, dos esforços, da entrega), e reconheço que nada vale a pena para quem fere nosso respeito, nossa ética e nosso brio, mas hoje eu insisti em ficar folheando esse álbum para ir além dos meus pensamentos... No fundo eu queria mergulhar em algo que não me falasse de nada, que só me deixasse em contato com o silêncio, a ignorância. Queria me livrar dos discursos, das mentiras, dos elogios, das celebrações, das desculpas.
Não sei se isto acontece com todos, mas às vezes tenho vontade de me dispor a mercê da vida, de me despir dos meus sonhos de querer um pouco mais, de montepio, benevolências. Eu queria entrar na chuva, andar nas nuvens, voar pelo deserto amarelo, e não sentir nada além do vento que leva tudo sem precisar de água, nem de areia, nem de flor, nem de gente. Queria seguir em frente de mãos vazias, sem lembranças.
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